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Como o Google está usando tecnologia para ajudar pessoas com deficiências

25 de setembro de 2019

Dizem as más-línguas que a tecnologia veio para resolver problemas que não existiam antes, mas quem trabalha com pesquisa de ponta e ama suas aplicações no mundo real sabe que essa afirmação é uma falácia: a tecnologia pode, deve e está ajudando a encontrar soluções incríveis para obstáculos antigos.

Se você não acredita, está na hora de conhecer três projetos geniais do Google que estão facilitando e muito a vida de pessoas com deficiências usando aprendizado de máquina.

Projeto Euphonia

O Projeto Euphonia ainda está em seus estágios iniciais e é fruto de uma bem-sucedida colaboração entre o programa AI for Social Good do Google e as organizações ALS Therapy Development Institute (ALS TDI) e ALS Residence Initiative (ALSRI), que estudam terapias para a esclerose lateral amiotrófica (aquela do “desafio do balde de gelo”).

O objetivo do projeto é encontrar uma forma de aumentar a compreensão da fala de indivíduos que tiveram sua capacidade de se comunicar afetadas por condições neurológicas, como a ALS, derrames, autismo, paralisia, Parkinson etc. Pacientes nesse caso apresentam uma dificuldade de se fazer entender e engenheiros do Google acreditam que algoritmos treinados com aprendizado de máquina podem identificar o padrão correto da fala e corrigir desvios na fala em tempo real.

Desta forma, utilizando amostras de fala de indivíduos afetados, é possível treinar um algoritmo comparando o resultado com falas articuladas, identificando um padrão de distorção específico para aquela condição e transcrevendo a comunicação corretamente.

No momento, Projeto Eufonia está limitado a pacientes portadores de esclerose lateral amiotrófica da língua inglesa. Com o avanço da pesquisa, o Google acredita que possa ampliar o público alvo do projeto para pessoas afetadas por outras disfunções, inclusive em outros idiomas, combinando com o reconhecimento de sons não-verbais e até gestos para ampliar a fidelidade da comunicação. Entretanto, por enquanto, os pesquisadores ainda estão na fase de coleta de amostras.

Projeto Live Relay

Projeto Live Relay parte de uma ideia simples: transcrever em tempo real uma ligação em texto e vice-versa, convertendo texto escrito em fala. A iniciativa da engenheira de software do Google Sapir Caduri visa auxiliar pessoas com deficiências auditivas a fazerem ligações telefônicas, na ausência de outras alternativas.

Pessoas que não ouvem bem costumam se apoiar na linguagem de sinais, na leitura labial ou em mensagens de texto para se comunicarem, mas esses são recursos que nem sempre estão disponíveis. Ou por que o interlocutor não domina esses métodos ou porque ele sequer está visível, como em uma ligação telefônica convencional. Com o Live Relay rodando localmente no dispositivo móvel do usuário, é possível que o deficiente auditivo receba a fala em formato de texto. E essa tecnologia funciona em duas vias: se o usuário apresenta dificuldades de se comunicar verbalmente, ele pode digitar suas mensagens e o interlocutor irá recebê-las em formato de áudio, mesmo em um telefone fixo.

O Live Relay ainda emprega funcionalidades do Smart Compose e do Smart Reply desenvolvidos pelo Google para agilizar o processo. Tudo isso, vale frisar, sem riscos para a privacidade dos envolvidos: toda a comunicação é processada localmente, somente em um dos dispositivos, sem passar pelos servidores do Google ou de terceiros. É utilizar o poder de processamento de aparelhos Android para converter a comunicação em tempo real, sem nem mesmo precisar de uma conexão de dados, basta a linha telefônica.

O Google acredita que esse projeto pode ser mais eficiente e amplo do que as tecnologias Real-Time Text (RTT) e Relay Services existentes. É possível que esse projeto seja utilizado inclusive por usuários sem necessidades especiais e possa ser empregado para romper barreiras idiomáticas: desta forma, seria possível se comunicar em seu idioma original, enquanto o interlocutor receberia a tradução falada simultaneamente e vice-versa.

Projeto DIVA

O nome Projeto DIVA vem de DIVersely Assisted e foi a forma encontrada pelo desenvolvedor Lorenzo Caggioni de ajudar seu irmão Giovanni de 21 anos com dificuldades de comunicação verbal. Giovanni tem Síndrome de Down, Síndrome de West e catarata congênita e não conseguiu se adaptar a tecnologias modernas que dependem de interface de voz ou mesmo toque para funcionar. O projeto surgiu da necessidade de tornar esses dispositivos mais acessíveis a indivíduos como ele, que não conseguem se expressar verbalmente e apresentam problemas motores.

Chega a ser irônico que dispositivos antigos podiam ser utilizados normalmente por Giovanni, como aparelhos de DVD ou notebooks, mas tecnologias que vieram depois não tenham levado em consideração a acessibilidade de todo um segmento da população.

Lorenzo Caggioni se juntou com colegas do Google Milão para resolver esse desafio: tornar o Google Assistant uma ferramenta que também possa ser empregada nesses casos. Após meses de pesquisa e protótipos, eles chegaram a um botão acessível que pode ser plugado no dispositivo e dispara comandos para o assistente, podendo ser utilizado por qualquer pessoa. O protótipo valeu um financiamento do Alphabet e se tornou o Projeto DIVA.

A meta da equipe é implementar soluções similares para diferentes necessidades do Google Assistant, implementando botões para vários cenários. Combinando a tecnologia RFID e usando etiquetas para objetos, seria possível ampliar bastante a acessibilidade do projeto, oferecendo comandos de fácil associação. Desta forma, seria possível, por exemplo, utilizar um CD físico para gesticular um comando para executar música ou um brinquedo poderia ser pressionado para iniciar a exibição de um desenho animado na TV.

Instruções de construção e programação já estão disponíveis na internet e uma das metas do Projeto DIVA é tornar a solução aberta para todos que desejarem implementá-la ou contribuir para sua evolução.

 

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