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Padrão Open XML da Microsoft é rejeitado pela ABNT

26 de agosto de 2007

A comissão de estudo CB-21/SC-34 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) rejeitou a aprovação do formato Open XML, da Microsoft. A não aprovação representa um duro golpe para a gigante do software em sua cruzada para desenvolver e tornar o padrão uma alternativa ao Open Document Format (ODF), criado e apoiado pela comunidade de software livre como especificação mundial para a leitura de documentos.

A decisão pode dificultar bastante a aprovação do Open XML como um padrão ISO de formato de documento (texto, planilha eletrônica, desenho, apresentação, etc.) pelo Comitê Integrado de Tecnologia (JTC-1, na sigla em inglês), que define padrões técnicos tanto para a ISO como para a Comissão Eletrotécnica Internacional. Isso porque a ABNT é uma das organizações de normatização participantes do subcomitê 34 (SC-34), e que, nesse caso específico, terá direito a voto.

Apesar de a Microsoft vir pressionando para que Open XML tenha o certificado ISO, o formato de documento tem enfrentado fortes resistências em todo o mundo. Na semana passada, o grupo executivo do Comitê Internacional para Padrões de Tecnologia da Informação da ISO/IEC (INCITS, na sigla em inglês), dos EUA, rejeitou, por um voto, a aprovação do Open XML. A votação terminou em oito a sete, quando o número necessário para aprovação pelo comitê era nove.

O Open XML é o formato padrão de arquivos usado pelo pacote Office 2007, que compete com o ODF, adotado pelo OpenOffice e que foi aprovado como um padrão ISO no ano passado. A comissão de estudo da ABNT avaliou que o formato da Microsoft ainda não está “maduro” e, portanto, não garante a compatibilidade com outros padrões (leia-se, aplicativos desenvolvidos em software livre) para criação e leitura de documentos.

De acordo com Cezar Taurion, diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil, apesar de a Microsoft garantir que o Open XML tem compatibilidade com documentos legados, como os com extensões .doc e .ppt, ela ainda não conseguiu comprovar isso tecnicamente. Ele diz que, segundo avaliações técnicas, o Open XML, na prática, dificultaria o uso de outros formatos que não são compatíveis com o Windows e o Explorer. Para os críticos mais ácidos à Microsoft, o Open XML nada mais é que um amontoado de definições que interessam apenas à companhia, que estaria tentando evitar a interoperabilidade e a compatibilidade entre os programas aplicativos e, por tabela, a concorrência dentro de um mesmo padrão.

Verdadeira ou não a acusação, a tendência com a decisão da ABNT, segundo Taurion, é que o formato da Microsoft não seja aprovado no JTC-1, que irá decidir sobre o caso em reunião que acontece no dia 2 de setembro. A opinião dele é que a existência de dois padrões para uma mesma finalidade acaba por elevar o preço dos produtos ao consumidor final, como, por exemplo, os dois níveis de tensão elétrica em uso no Brasil e os diversos tipos de tomadas elétricas.

Taurion não tem dúvidas de que a decisão da comissão da ABNT foi feita com base em parâmetros estritamente técnicos, embora o documento do Open XML tenha 6 mil páginas, o que torna a análise um tanto difícil. A IBM é uma das empresas que, ao lado de companhias como Oracle, Sun Microsystems, Mandriva, KOffice, Google e outras, fazem parte da ODF Alliance, que está empenhada em promover o uso do formato OpenDocument.

Em comunicado, a Microsoft Brasil observa que, conforme decidido na reunião da comissão de estudo da ABNT, a entidade encaminhará ao ISO/IEC JTC1 o voto de desaprovação do padrão Open XML, porém, com os comentários técnicos que foram objeto de consenso do grupo de trabalho que analisou o referido documento e que devem contribuir para o aperfeiçoamento do padrão OpenXML.

Ainda de acordo com Microsoft, o fato de ter havido consenso técnico representa efetivamente uma oportunidade de evolução da norma, como parte do processo natural de elaboração de qualquer norma técnica. “O país cumpriu importante papel nesta etapa de avaliação, fato que demonstra sua capacidade técnica para participar do processo de normatização internacional”, diz o comunicado.

A empresa diz que continuará a interagir com representantes da sociedade civil, empresas privadas, associações empresariais, universidades e governo federal no desenvolvimento do padrão Open XML, “que é uma alternativa ao outro modelo disponível no mercado, o ODF”. Segundo a Microsoft, o Open XML reconhece versões anteriores de formatos de documentos, permite a conversão dos documentos em ODF e vice-versa, sem que haja uma dependência a um único fornecedor para ambos os padrões.

Com informações de TI Inside.

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