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Portais acirram disputa na área de vídeos na internet

8 de setembro de 2009

Os grandes estão investindo em portais de video
Uma fronteira que divide duas mídias bastante populares no Brasil começa a cair.

Em uma das frentes estão os canais de TV, que investem em ferramentas digitais para levar seu conteúdo para a internet.

Na outra ponta da história os serviços online investem em acordos de licenciamento ou criação própria de conteúdo. O alvo é o mesmo: uma crescente base de usuários que, com banda larga em casa ou no trabalho, consegue acessar filmes, clipes, noticiários, shows e episódios de séries com maior conforto.

A movimentação dos portais diante desse cenário não é aleatória. Em função do aumento na capilaridade e da maior velocidade dos planos de acesso, a adoção da banda larga no Brasil, principalmente em ambiente doméstico, faz com que o consumo multimídia também aumente. A penetração crescente de monitores maiores, como explica o diretor geral da Globo.com, Juarez Queiroz, também demonstra como o mercado recorre a equipamentos mais confortáveis para a reprodução dos vídeos.

Dados do Ibope Nielsen Online mostram que sites inscritos na categoria “broadcast” tiveram um aumento de 22% na audiência em julho de 2009 na comparação com o mesmo mês de 2008. No tempo médio gasto por usuário, o crescimento foi de 11%. O panorama do investimento dos portais em vídeo pode ser separado em duas diferentes vertentes: enquanto UOL e iG apostam em caminhos parecidos, fechando acordos para exibir conteúdos alheios, o Terra trilha um caminho mais ousado e caro.

A agressividade do Terra
O investimento do portal da Telefônica no setor de vídeos se mostra extremamente agressivo. Além de acordos com estúdios que permitem que o Terra TV exiba filmes ou episódios de seriados na íntegra, o portal espanhol gastou um total de 7 milhões de dólares pelo direito de veicular, na íntegra e ao vivo, todas as competições dos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.

A estratégia fez com que a companhia entrasse na briga com canais abertos para comprar do Comitê Olímpico Internacional (COI) os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de 2016 também para TV aberta, o que colocaria o portal em rota de colisão direta com as redes de TV Globo, Band e Record.

Esta informação, divulgada pelo jornalista Daniel Castro, do jornal Folha de São Paulo, não é comentada oficialmente pelo Terra. Ainda que o salto ensaiado para a TV aberta não se concretize, o direito exclusivo de transmissão online que o Terra tinha para o evento colocou o portal como rival dos canais de TV. Isso porque, como muitas das competições em Pequim foram realizadas durante o horário comercial, era muito mais fácil para boa parte da audIiência acompanhar os jogos pelo computador no local de trabalho.

A variedade de competições transmitidas nos 13 canais também se revelou uma oportunidade publicitária para o portal, que pôde explorar campanhas de anúncios voltados a públicos específicos sem espaço no tempo limitado da televisão. “Usuários nos falaram que finalmente conseguiram ver uma prova de esgrima, algo que nunca tinham assistido pela TV”, afirma o diretor de marketing do Terra para América Latina, Alexandre Cardoso.

Como parte da sua estratégia, o Terra renegociou contratos com os estúdios ABC, Disney e CBS para exibir episódios de séries, como “Scrubs”, “Lost” e “Desperate Housewives”, simultaneamente à TV. A mudança no modelo – anteriormente, apenas episódios da temporada passada podiam ser veiculados online – atraiu uma fatia ainda maior de internautas, afirma Cardoso.

“Quanto maior pertinência, maior a audiência. (O novo modelo de exibição) causou a explosão na audiência das séries” veiculadas pelo Terra, afirma o executivo, razão que fez o Terra TV quase dobrar sua audiência em um ano: de 5 milhões em julho de 2008 para 9 milhões de usuários únicos no ano seguinte. Na visão do executivo, a procura por parte dos usuários cria uma demanda publicitária, o que faz com que o investimento em vídeo online “tenha um risco de negócio praticamente inexistente”.

A estrategia de iG e UOL
Em uma toada menos agressiva, UOL e iG se assemelham tanto no modelo de parceria com produtores de conteúdo como na veiculação de vídeos. Na última grande reformulação da página inicial de ambos os portais, seus canais multimídia foram destacados – no caso do primeiro, uma barra com quatro exemplos do TV UOL abaixo das notícias principais e, no segundo, e um bloco fixo que destaca vídeos do TV iG.

Também é semelhante a maneira como os dois portais misturam conteúdo próprio (voltado, principalmente, para notícias e entretenimento) com acordos de licenciamento. Agências de notícias, como AFP, EFE, BandNews e Reuters, conteúdos da Turner Broadcasting System, como os desenhos do Cartoon Network, e programas sobre moda da Fashion TV aparecem nas duas companhias, que têm diferenças pontuais entre si em termos de licenciamento – o UOL republica conteúdos da TV Cultura e da gravadora Trama, enquanto o iG se aproveita de conteúdos da Avesso TV e de vídeos musicais do Sesc Instrumental.

Os acordos de licenciamento são atraentes para os estúdios, segundo a gerente-geral de entretenimento do UOL, Manoela Pereira, por darem sobrevida a um conteúdo já explorado na cadeia cinematográfica, que começa com a exibição nas salas de cinema. Para os portais, além do desktop, acordos do tipo também prevêem a veiculação do conteúdo em plataformas móveis, lembra o diretor de conteúdo do iG, Caíque Severo.

O aumento na procura permitirá que o mercado de conteúdo audiovisual na web experimente novas formas de tentar rentabilizar os investimentos. “Não chegamos ao ‘banner para vídeo’”, sintetiza Severo, que vê como possibilidades de receita a exploração de conteúdos de alto padrão por assinaturas – no iG, é possível assistir a desenhos do Cartoon Network mediante um pagamento mensal de 9,90 reais. “Esse modelo pode conviver com o resto até que a propaganda se torne a principal fonte de receita com vídeos na internet”, diz ele.

A produção própria, segundo Manoela, do UOL, também pode ser uma ponte para que os portais invertam o atual vetor de licenciamento e comecem a fornecer conteúdo para canais de TV. “O MegaShow (programa em parceria com os Estúdios Mega em que bandas tocam e comentam sobre discos), por exemplo, está formatado para a TV”. O Terra já faz a transição: TVs da Samsung com o recurso [email protected] reproduzem conteúdos do portal, além de serviços como YouTube , direta da tela.

Invadir o mundo das TVs não é o objetivo de nenhum dos três, pelo menos por enquanto. Como bem sintetiza Cardoso, do Terra, os vídeos não representam o objetivo final da estratégia, mas servem à rotina do portal de selecionar conteúdos em diferentes mídias. “O portal tem papel de editoria. Você monta uma grade editorial, que mescla notícias, entretenimento e outros assuntos em diferentes mídias.”

Com informações de IDGNow!.

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