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O influenciador digital está morto?

De acordo com a definição da Wikipedia, “influenciador digital ou digital influencer é um indivíduo que utiliza uma rede social para expressar análises e influenciar a opinião de outras indivíduos, através de publicações em texto ou vídeo online e, que são seguidos por um público massivo”.

Com 112 mil inscritos em nosso canal, não resta dúvidas de que o Código Fonte está caminhando para atingir esse status, se é que ainda não o possui. Isso é o resultado de uma longa jornada de trabalho e dedicação para produzir conteúdo de qualidade sobre tecnologia e desenvolvimento e levar para nossa audiência.

Na última década, o papel do influenciador digital na publicidade galgou patamares inimagináveis para a mídia tradicional. Embora seja difícil quantificar o nível real de alcance desse novo horizonte, até por conta da caixa preta dos valores que circulam e, principalmente, com uma gama tão grande de nichos e setores, é possível fazer um recorte sobre um segmento bastante específico e chamativo do fenômeno: os streamers de jogos.

Com base em pesquisas e a análise de um caso recente é fácil constatar que o cenário está em constante mutação e que o influenciador digital como conhecíamos está morto. Mas passa bem e tem um futuro promissor pela frente.

O Ápice das Lendas

Quando tudo indicava que o reinado de Fortnite entre os jogos “battle royale” seria perene e imbatível, Apex Legends chegou no mercado com um pé na porta. Em apenas uma semana após o seu lançamento, o título havia alcançado a marca de 25 milhões de jogadores registrados. Para fins de comparação, Fortnite demorou quatro meses para alcançar 20 milhões de contas de usuário. Nesses primeiros sete dias, Apex Legends tinha registrado pico de 2 milhões de jogadores simultâneos enquanto Fornite só conseguiu atingir o mesmo  patamar cinco meses depois de seu lançamento.

No centro do avassalador e aparentemente repentino sucesso de Apex Legends estava um título sólido desenvolvido por veteranos da indústria que já haviam trabalhado nos primeiros Call of Duty e na franquia Titanfall. Porém, havia também uma pesada estratégia de marketing para alavancar um lançamento meteórico.

E no centro dessa estratégia de marketing estavam os influenciadores digitais. Em uma jogada visionária, a produtora EA Games apostou muitas fichas em YouTubers e streamers de várias plataformas para promover o seu jogo do zero ao sucesso. Tyler “Ninja” Blevins, um dos mais famosos streamers do rival Fortnite, teria recebido a impressionante soma de um milhão de dólares para promover Apex Legends, segundo a agência de notícias Reuters.

Com uma audiência de mais de 30 milhões de seguidores combinados em suas redes sociais, o investimento em Ninja parece ter valido a pena para a EA Games, embora os números não tenham sido nem negados ou confirmados.

Mas será que os influenciadores digitais ainda tem o mesmo impacto que tiveram? O raio pode cair duas vezes no mesmo lugar?

Números e mais números

A Fancensus, que fornece relatórios e dados analíticos sobre a indústria de jogos desde 2004, realizou um levantamento sobre os influenciadores digitais.

A partir de números de 2016, 2017 e 2018, é possível perceber duas características significativas sobre os influenciadores digitais na indústria de jogos, uma tendência que possivelmente se reproduz em outros setores: os Top 10 do segmento estão cobrindo progressivamente menos produtos do que cobriam no passado, dando preferência àquilo que atrai mais audiência; e se manter na liderança é uma tarefa árdua, com alta rotatividade na lista.

A Fancensus constatou que nos 12 meses do ano de 2016, os 10 maiores influenciadores fizeram uma cobertura de perto de 300 jogos diferentes. Em 2018, contudo, os 10 maiores influenciadores se limitaram a uma seleção de apenas 28 títulos. É uma drástica redução no escopo de seus canais, um grave prejuízo à diversidade da indústria como um todo e um perigoso golpe no já conturbado segmento dos jogos independentes. Se antes, em épocas mais ingênuas e aventureiras, era possível contar com a possibilidade de ser “descoberto” por um streamer e ver seu título modesto catapultado para o sucesso, atualmente o quadro é dominado pelas grandes produtoras: dos 28 jogos cobertos em 2018, metade deles seriam grandes lançamentos de empresas de renome.

Essa ausência de diversidade é um sintoma da profissionalização do influenciador digital. Por um lado, seu interesse está na audiência e a audiência deseja ter contato com os jogos de grande produção ou que já sejam conhecidos fora do universo das plataformas de streaming, por conta do marketing em outros segmentos. A maior parte da renda dos influenciadores digitais ainda advém do volume de visualizações vinculado à exposição de anúncios. Por outro lado, grandes produtoras entenderam que custear publicidade direta pode ser uma estratégia vantajosa, como aconteceu no caso de Ninja. Desta forma, o influenciador digital tem dois sólidos motivos para não se arriscar em títulos fora da curva.

E, obviamente, existe um terceiro fator para essa redução de variedade e uma busca por um mínimo denominador comum: competição. Apenas metade dos Top 100 influenciadores de 2017 se manteve em suas posições no ano seguinte. No topo da lista, a rotatividade é ainda maior: 80% do Top 10 de 2018 não aparecia entre os dez influenciadores de maior audiência em 2017.

Essa alta alternância de liderança é um reflexo do aumento do público interessado no segmento. Não temos aqui os mesmos streamers disputando a mesma audiência, mas novos e antigos atores disputando uma audiência que não para de crescer. A Fancensus aponta que em 2018, 86 milhões de novos inscritos afluíram para os top 10 influenciadores no YouTube. Embora Ninja tenha obtido fenomenais 21 milhões de novos inscritos em um período de 12 meses, a média entre os top 100 influenciadores é de meio milhão de novos inscritos.

Esse aumento de inscritos consequentemente impacta no volume de visualizações: foi registrado um crescimento de 40% de visualizações nos vídeos entre os 10 influenciadores mais importantes.

São números que favorecem a competição entre os influenciadores e demarcam com certeza sua importância, mas também são números que comprovam que as plataformas de streaming, seja YouTube, Twitch ou Mixer, ainda tem um potencial bastante alto de crescimento e com certeza irão figurar nas estratégias de marketing não apenas no segmento de jogos eletrônicos, como em outras indústrias.

Para todos os efeitos, a era dos influenciadores amadores, com pouca estrutura ou planejamento, que comentavam sobre produtos ou temas aleatórios, está morta. O influenciador digital hoje e no futuro se tornou um pilar importante para a divulgação de produtos e assuntos já consagrados. Essa é uma tendência concreta, que não deve se alterar nos próximos anos.

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