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Os 7 piores erros de Excel da História

15 de outubro de 2020

Recentemente, o Excel esteve no centro de uma polêmica: o programa teria gerado uma falha na contabilização de infectados do novo coronavírus no Reino Unido. Alguns portais jornalísticos acusaram o editor de planilhas de ser o responsável em suas manchetes, alegando um bug no software.

Como costuma acontecer com muita frequência, a falha na verdade foi dos usuários envolvidos. De nada adianta ter uma ferramenta poderosa se ela estiver nas mãos erradas, não é verdade? Reunimos então esse e outros casos em que um erro na forma de se usar o Excel provocou falhas históricas.

1 – Excel e a COVID-19

O serviço de saúde pública do Reino Unido cometeu um erro grave e dados de cerca de 16 mil infectados pelo novo coronavírus foram perdidos no início da pandemia. Os testes foram realizados por empresas privadas contratadas pelo governo e enviados em formato CSV para os administradores públicos. Até aí nada demais, procedimento padrão para exportação de dados.

Foi implementado um sistema automatizado que importaria essas informações para uma planilha criada a partir de um modelo do Excel. A partir daí, esses dados seriam utilizados para quantificar a velocidade do contágio e tentar detectar os caminhos de propagação da doença no país, além de notificar pessoas que poderiam ter tido contato com infectados. Novamente, procedimento padrão, correto?

O problema foi a escolha do formato legado XLS para a importação desses dados. O formato está obsoleto desde 2007 e tem um limite de 65 mil linhas de dados, muito abaixo do limite de mais de um milhão de linhas que o Excel suporta hoje. Com várias linhas sendo utilizadas para cada teste, no final das contas, a planilha só estava importando 1400 casos por vez e o excesso era descartado sem dó nem pena.

De acordo com o secretário de saúde Jonathan Ashworth , “milhares de pessoas estavam inconscientes de que foram expostas à Covid, potencialmente espalhando este vírus mortal em um momento em que as internações hospitalares estão aumentando”.

O erro permaneceu ignorado por oito dias. A solução provisória adotada pelo governo britânico foi dividir a exportação de dados em lotes menores que possam ser absorvidos pelas planilhas em XLS.

2 – Serviço de Segurança britânico espionou as pessoas erradas

É importante não confundir o MI5, o Serviço de Segurança do Reino Unido, com o MI6, o Serviço Secreto. O MI5 cuida da segurança interna do país e da contra-espionagem, enquanto o MI6 cuida da espionagem externa. O MI6 tem James Bond. O MI5 tem erros no Excel.

Em 2010, antes dos escândalos de monitoramento em massa, o Serviço de Segurança MI5 cometeu uma falha grave em uma planilha e espionou quem não devia. Se ele deveria espionar alguém é uma discussão para outra hora, mas o fato é que ele realmente espionou pessoas inocentes naquele ano.

Uma lista de 134 telefones que deveriam ser grampeados foi formatada errado. No lugar dos três últimos números da linha, foi registrado automaticamente “000”. Ninguém reparou no erro e os telefones foram grampeados e monitorados assim mesmo. De acordo com as autoridades, “os dados de assinante adquiridos não tinham conexão ou relevância para qualquer investigação ou operação realizada pelo Serviço de Segurança”. As informações coletadas teriam sido supostamente apagadas dos arquivos depois que o erro foi identificado.

3 – Jogos Olímpicos de 2012 venderam mais ingressos do que deveriam

Ainda na Inglaterra, saltamos agora para 2012 e as Olimpíadas de Londres. Em um dos eventos, o comitê olímpico tinha 10 mil lugares para vender ingresso para a competição de nado sincronizado. Entretanto, o responsável pelo registro marcou 20 mil lugares na planilha e foram colocados à venda 20 mil ingressos para uma arena em que só cabiam 10 mil pessoas.

Felizmente, o erro foi descoberto em tempo hábil e o comitê olímpico e a Ticketmaster juntaram forças para contatar os 3000 pagantes excedentes e oferecer alternativas para solucionar o problema. Na maioria dos casos, foram oferecidos ingressos para outros eventos como moeda de troca.

4 – TransAlta perde 24 milhões de dólares

É fácil culpar o serviço público por uma falha de TI (principalmente se for no Reino Unido), mas usar Excel errado é uma maldição que não vê fronteiras, nem diferença entre público e privado. A companha elétrica canadense TransAlta perdeu nada menos que 24 milhões de dólares em contratos por causa de uma falha humana no uso da ferramenta, em 2003. Foi o equivalente a 10% de todo o lucro da empresa naquele ano.

A planilha mostrava duas colunas: leilões de linhas de transmissão e a oferta que a TransAlta estava disposta a fazer para adquirir a exclusividade de uso. Um erro na hora de copiar e colar valores desalinhou fileiras. Como resultado, lances altos que deviam ser feitos por linhas de grande importância estratégica foram alinhados na verdade com linhas de menor impacto. Em outras palavras, por causa de um erro bobo de um funcionário, a TransAlta fez lances altos demais por linhas que ninguém queria e lances baixos demais por linhas em que realmente tinha interesse.

“Foi literalmente um erro de recortar e colar em uma planilha do Excel que não detectamos quando fizemos nossa inscrição e classificação de ofertas antes do envio”, explicou na época Steve Snyder, presidente da TransAlta.

5 – Kodak “perde” 11 milhões de dólares

Outra empresa privada que teve perdas por conta de erro no Excel foi a Eastman Kodak, em 2005. Nesse caso, foi mais um susto que qualquer outra coisa, mas ilustra bem que não se brinca com números. A empresa registrou um pagamento de 11 milhões de dólares em seguro para funcionários demitidos, mas a cifra estava incorreta porque o responsável teria adicionado “zeros a mais” na planilha.

Embora a Eastman Kodak não tenha, de fato, realizado esse pagamento, o valor pegou mal para acionistas e ajudou a diminuir o preço de suas ações no mercado. Entretanto, com uma perda de mais de um bilhão de dólares contabilizados naquele ano, o que são 11 milhões a mais ou menos em uma planilha?

6 – Doutora em Economia de Harvard também erra

Em 2010, a Doutora em Economia de Harvard Carmen Reihart e o ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional Ken Rogoff publicaram um artigo que se tornou seminal no meio acadêmico e ditou a política econômica de muitos países. O relatório batizado de “Growth in a Time of Debt” apontava que uma política de austeridade e cortes em gastos sociais poderiam alavancar uma economia em tempo de crise.

Entretanto, havia um erro gritante de Excel no estudo, que levaria três anos para ser identificado. E por um estudante, ainda por cima. Thomas Herndon, da Universidade de Massachusetts, recebeu o dever de casa de escolher um artigo e tentar replicar suas conclusões. Ele escolheu o famoso  Reinhart-Rogoff e descobriu a falha que ninguém tinha visto.

No artigo original, quando um país atinge um nível de débito correspondente a 90% do seu PIB, ele sofre uma retração na economia de 0,1%. Esses números foram obtidos por Reinhart e Rogoff a partir de uma média calculada no Excel. Porém, Herndon descobriu que a média calculada ignorava cinco linhas na planilha e o resultado contradizia completamente a conclusão do artigo: na verdade, quando um país atinge um débito de 90% do seu PIB, sua economia cresce 2,2%.

7 – JP Morgan detectou erro de 6 bilhões de dólares em avaliação

Porém, nada supera a falha grotesca descoberta pela financeira JP Morgan. Vamos combinar: não é todo dia que se erra em 6 bilhões de dólares e derruba a idoneidade de uma Bolsa de Valores. Tudo por causa de informações coladas erradas entre planilhas de Excel, devido à correria na hora de fechar um relatório de avaliação de riscos no mercado.

Investidores perderam a soma absurda na Bolsa de Londres, o que levou ao escândalo conhecido em 2013 como London Whale. Definitivamente, há algo errado entre o Reino Unido e o Excel.

Nas palavras do analista James Kwak, ao diagnosticar o problema na época:

Embora o programa Excel seja razoavelmente robusto, as planilhas que as pessoas criam com o Excel são incrivelmente frágeis. Não há como rastrear de onde seus dados vêm, não há trilha de auditoria (então você pode sobrescrever números e não saber) e não há uma maneira fácil de testar planilhas, para começar. O maior problema é que qualquer um pode criar planilhas do Excel – mal. Por ser tão fácil de usar, a criação de planilhas até mesmo importantes não se restringe a pessoas que entendem de programação e a fazem de maneira metódica e bem documentada

 

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