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Revolução: cinco anos de Satya Nadella no comando da Microsoft

18 de fevereiro de 2019

Em 2014, a Microsoft passou por um momento de transição: a saída de Steve Ballmer e a entrada de Satya Nadella como novo CEO da empresa. Na época, chegamos a traçar um perfil prévio desse novo executivo que vinha para conduzir o gigante de Redmond para um futuro diferente.

Passados cinco anos de seu comando, o que mudou na Microsoft? Praticamente tudo.

Mais do que ninguém, Satya Nadella entendia que a cultura da tecnologia da informação estava saindo de uma plataforma monolítica, fechada e extremamente competitiva para um mercado mais volátil, mais focado em serviços e definitivamente integrado com soluções concorrentes. De uma grande caixa-preta, “ame-a ou deixe-a”, a Microsoft se modificou para uma empresa que colabora com a comunidade de desenvolvimento, respeita seus adversários e permite que o consumidor misture produtos sem ficar preso ao seu ecossistema.

É uma grande transformação quando comparamos com os anos em que o polêmico Steve Ballmer esteve à frente dos negócios. A Microsoft saiu de uma mentalidade de competir e destruir para algo mais amigável dentro da indústria, quase uma “Microsoft paz e amor”.

Nadella chegou para atender uma necessidade de mudança do mercado e foi escolhido a dedo para liderar essa revolução. “Cabe a nós, especialmente àqueles de nós que somos fornecedores de plataformas, nos associar amplamente para resolver os verdadeiros pontos problemáticos que nossos clientes têm”, declarou o executivo. É uma mudança de postura importante: os consumidores não precisam adaptar seus ecossistemas para adotar as soluções Microsoft e nada além das soluções Microsoft. Era a Microsoft que precisava se adaptar para a necessidade de seus clientes.

Isso não significou uma perda de competitividade para a empresa. Azure está aí para demonstrar que a empresa tem força e competência para competir com soluções de peso, como as plataformas de nuvem da Amazon e do Google. Mas essa mudança de mentalidade significa que a Microsoft não precisa competir em todas as frentes, às vezes com soluções medianas apenas para não perder lugar naquele determinado mercado. Em muitos cenários, a melhor estratégia, para a Microsoft e para o consumidor, era a colaboração.

Quem diria que veríamos Linux e Windows de braços dados? Se houvesse um Nobel da Paz no mundo da tecnologia, Nadella seria um forte candidato ao colocar um ponto final em uma guerra longa e fútil.

Aqueles que viveram os anos sombrios da rivalidade ideológica entre o mundo Microsoft e o mundo open source se chocou ao descobrir que a gigante capitalista estava comprando o GitHub. O tempo passou e nenhuma catástrofe se abateu sobre o repositório e sua comunidade. Era apenas a Microsoft abandonando sua mentalidade de competição extrema, largando de lado o antigo Codeplex, e indo ao encontro de onde os desenvolvedores estavam, não para brigar, mas para somar, consolidando uma abordagem que já vinha engatinhando antes mesmo de Nadella.

É o que os consumidores esperam: colaboração. Projetos abertos, código aberto, APIs que conversam entre si sem restrições, um ecossistema de desenvolvimento que não seja um obstáculo ou dominado por uma única marca forçada goela abaixo. Por conta disso, temos Cortana conversando com Alexa, temos parcerias com a Samsung, Ubuntu na Microsoft Store e, mais recentemente, Edge adotando o motor do Google Chrome.

Não é por acaso que o Azure, a plataforma de soluções de nuvem da empresa ,cresceu tanto no período: ao invés de lutar contra o crescimento do iPhone, que Steve Ballmer menosprezou tantas vezes, ao invés de buscar oferecer uma terceira plataforma móvel na forma do Windows Phone, a Microsoft abraçou os aplicativos iOS no Azure. E foi além, oferecendo também soluções de IDE para os desenvolvedores que desejassem trabalhar com o sistema operacional que antes era visto como uma ameaça.

A visão de Nadella nesses últimos cinco anos também foi marcada por aquisições. Onde não era possível competir ou colaborar, a Microsoft assimilou. LinkedIn não nos deixa mentir, assim como a Mojang. Tudo isso fazia parte da mesma revolução.

É claro que isso teve um preço caro para a empresa. Nadella em seus primeiros meses foi o responsável pela maior demissão em massa da história da Microsoft. Na história das revoluções, nenhuma delas aconteceu sem um custo humano, literal ou figurativo. Enquanto Ballmer adquiriu a Nokia no ocaso de sua administração, Nadella não hesitou em cortar aquela linha de investimentos antes que a Microsoft se perdesse em uma batalha que não tinha futuro. E, aos olhos dos acionistas e do ponto de vista meramente prático, a Microsoft foi alavancada nos últimos cinco anos de administração do indiano após anos de estagnação nas mãos de seu antecessor.

O gráfico das ações da Microsoft na Bolsa de Valores vale por mil palavras.

Os lucros líquidos da Microsoft bateram a marca de US $ 16,6 bilhões. Uma grande  parte desse sucesso pode ser atribuído ao Azure, que está registrando uma taxa de crescimento de 91% ao ano e não dá sinais de que vá enfraquecer. Em Novembro de 2018,  a Microsoft foi classificada pela Forbes como a empresa mais valiosa do mundo, na frente dos rivais históricos Apple e Amazon.

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