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Robótica: 5 tendências para o novo ano

24 de janeiro de 2019

Robótica é o novo Linux: quem defende acredita que todo ano será o seu ano e haverá uma explosão de popularidade, quem critica todo ano provoca quem defende falando que ainda não foi desta vez. Enquanto isso, alheia aos debates acirrados,  a tecnologia se infiltra nos bastidores e todo ano acaba sendo o Ano do Linux e todo ano acaba sendo o ano da Robótica.

Para avaliar o que 2019 reserva para o campo da robótica, o site ZDnet entrevistou quatro profissionais do setor e estudiosos influentes em busca de tendências futuras: Melonee Wise, CEO da Fetch Robotics; Brian Gerkey, CEO da Open Robotics; Jeff Burnstein, Presidente da Association for Advancing Automation; e Carl Vause, CEO da Soft Robotics.

1) Nuvem

Computação da nuvem vem se tornando um componente fundamental para o desenvolvimento da robótica e essa aliança deve se amplificar em 2019. Segundo Gerkey:

Já se passaram oito anos desde que James Kuffner falou pela primeira vez sobre o conceito de ‘robótica em nuvem, e agora parece que vamos ver a indústria tentando seriamente. Apenas nos últimos dois meses, vimos o Google e a Amazon anunciarem novos serviços voltados para o desenvolvimento, a implantação e / ou o gerenciamento baseados em nuvem de aplicativos para robôs.

Com essa sintonia é possível oferecer a unidades robóticas as mesmas vantagens desfrutadas por aplicações e sistemas, ou seja uma ampliação de suas capacidades de processamento, armazenamento de dados e comunicação. Além disso, robôs conectados na mesma nuvem podem compartilhar informações para aprimorar seu trabalho coordenado e obterem uma performance operacional mais precisa.

Wise revela que sua Fetch Robotics “tem estado na vanguarda da adoção da nuvem e dos benefícios de uma abordagem em nuvem (o que chamamos de automação sob demanda). No ano passado, vimos qualquer resistência a essa abordagem se evaporar”. A tendência para 2019 aponta para um crescimento dessa colaboração.

2) China

Nos últimos anos, a competitividade no setor tem preocupado analistas. Embora tenha havido esforços para coordenar o desenvolvimento de robôs e monitorar o avanço das Inteligências Artificiais, claramente foi iniciada uma espécie de corrida global pela liderança na robótica, com empresas da Europa, Ásia e América do Norte disputando mercados e tecnologias. Nesse cenário, um país em especial vem se destacando dos demais, e não apenas em relação a robótica, mas também em relação a tecnologias em geral e sua aplicação em larga escala. E esse país é a China.

Vause aponta que “a China adquiriu mais da metade de todos os robôs vendidos na primeira metade de 2018 e não há sinais de que esteja desacelerando”. Atualmente, a China é um dos maiores mercados consumidores potenciais, seja de iPhones, redes sociais, jogos eletrônicos ou tecnologia de automação. A previsão da International Federation of Robots é de que o gigante vermelho alcance a marca impressionante de 1.8 milhão de robôs industriais em operação até 2025, multiplicando seu quadro atual em dez vezes.

Entretanto, desde 2015, a China vem implementado uma mudança de paradigma em sua política de ciência e tecnologia. A iniciativa Made in China pretende incentivar a produção e o desenvolvimento local. Startups chinesas e projetos sustentados pelo Estado estão administrando cifras consideráveis de capital para extinguir a dependência tecnológica em todos os setores, principalmente robótica e Inteligência Artificial.

Então, ainda que a China seja o maior mercado consumidor de automação industrial no momento, a estimativa da  International Federation of Robots é que, nos próximos seis anos, um total de 70% das unidades robóticas existentes no país tenham sido produzidas localmente e façam parte do Made in China. Para atingir esse objetivo, governo e iniciativa privada devem alavancar pesquisas e desenvolvimento, assim como aquisição de profissionais e patentes, durante o ano de 2019.

3) Novos adeptos

Todos os quatro especialistas consultados pela ZDnet foram unânimes em afirmar que 2019 será um ano fundamental para adoção da automação robótica por novos setores. Para Vause:

A indústria está vendo a rápida adoção de robôs industriais em novos mercados. Tradicionalmente, o mercado de robôs industriais tem sido dominado pelas indústrias automotiva e eletrônica. Durante o ano passado, vimos uma adoção e crescimento significativos em mercados como alimentos e bebidas, armazenamento e logística.

Parte dessa disseminação da robótica pode ser atribuída à queda dos preços da tecnologia, mas os especialistas também apontam que diminuiu a resistência aos chamados robôs colaborativos, unidades menores utilizadas para trabalhar ao lado de humanos no mesmo ambiente.  Vause aponta os sinais dessa mudança: “há alguns anos, havia dois fornecedores de robôs colaborativos, agora há uma proliferação e os fornecedores tradicionais de robôs industriais estão fornecendo soluções colaborativas”.

Segundo os especialistas, foi-se o tempo em que os robôs eram vistos como destruidores de postos de trabalho e uma nova perspectiva está surgindo: a de que robôs podem gerar novos empregos. Burnstein alerta que “nós precisamos preparar nossa força de trabalho para os empregos do futuro (assim como para aqueles disponíveis hoje)”.

Outro fator que estaria impulsionando essa adesão seria a necessidade. Wise enxerga que “há mais empregos que trabalhadores nos Estados Unidos”. Para resolver essa demanda de mão-de-obra em setores que precisam cada vez mais ampliar sua produção, a robótica seria o caminho mais lógico. Ela completa: “a América vai ter que se automatizar para sair desse dilema”.

4) Mercado consumidor

A ideia de ter um robô em cada casa segue distante, ainda que todos os anos a indústria se esforce para penetrar no mercado doméstico. A grande verdade é que o público em geral ainda sonha com um assistente automático que realize todas as tarefas de casa, enquanto unidades que aspirem o pó de toda a casa de forma quase autônoma já sejam uma realidade há muito tempo. Em outras palavras, o consumidor final já convive com a automação e a robótica e 2019 não deverá mudar significativamente essa relação.

Ainda assim, Gerkey defende que 2019 pode sim ver um avanço da robótica dentro dos lares:

Enquanto nos despedíamos este ano de Jibo e Kuri, também vimos o lançamento do Vector pela Anki, continuação do desenvolvimento da PFF na Gita, e rumores de projetos de robôs domésticos em grandes empresas de tecnologia. Ainda não chegamos lá, mas a indústria parece estar se aproximando de descobrir o que um robô pode fazer para as pessoas em suas vidas cotidianas

5) O desafio da segurança

Apesar de todos os prognósticos positivos da robótica para 2019, a segurança segue sendo uma das principais preocupações do setor. A própria corrida global representa uma ameaça nesse sentido, com diversas empresas ignorando o impacto que a automação pode representar. Além disso, padrões de desenvolvimento são desrespeitados e isso serve para abrir espaço para brechas e vulnerabilidades que podem ser exploradas por agentes hostis.

Por conta desse cenário, os especialistas estão preocupados. Wise sintetiza esse desafio da segurança: “espero sinceramente que 2019 seja o ano em que a segurança dos robôs se torne uma prioridade máxima. Os possíveis erros de uma empresa de robótica poderiam atrasar nossa indústria por anos.”

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