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Verdades e mentiras sobre o 5G

14 de agosto de 2019

A tecnologia 5G promete velocidades impressionantes para a telefonia móvel, mas ela vai muito além do que isso. Sua implementação é complexa e avança mais lentamente do que deveria no mundo todo. Na América Latina, o Uruguai saiu na frente graças a uma parceria entre o governo e investimentos maciços da Nokia, mas o Brasil pode se tornar o palco do maior leilão do planeta para frequência 5G no próximo ano.

Nossos vizinhos de fronteira viram em primeira mão uma aliança entre a gigante finlandesa e a operadora estatal Antel, mas nos brasileiros podemos ver em primeira mão a Nokia tentar repetir seus esforços junto à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para a realização de um leilão colossal em março de 2020.

À princípio, ficou decidido pela agência brasileira que as frequências 2,3 GHz e 3,5 GHz seriam alocadas para a tecnologia 5G no país, mas outras bandas como a de 26 GHz e a 700 MHz poderiam ser ofertadas no mesmo leilão, alavancando e muito a disponibilidade de conexões de baixa latência que iriam favorecer o setor industrial além da telefonia móvel. Se todas essas faixas fizerem parte do leilão, essa será a maior oferta unificada já realizada no planeta, colocando o Brasil na ponta da lança da tecnologia.

Testes de telefonia 5G já estão sendo realizados pela Tim e a Nokia no país, entretanto, mesmo com a tecnologia logo ali na esquina, ainda persistem mitos e até crendices que podem atrapalhar sua disseminação aqui e no exterior.

5G aumenta a incidência de câncer?

Resposta curta: não.

De imediato, é necessário eliminar um dos mitos mais pervasivos e prejudiciais à respeito da tecnologia. Existem inúmeros estudos, entretanto, até o momento, não há nenhuma evidência científica concreta que relacione as frequências utilizadas nas conexões 5G com um aumento na incidência de câncer em humanos.

Todos os dispositivos que exigem uma conexão utilizam radiofrequência como uma forma de radiação não-ionizante. Todos, inclusive os dispositivos 4G já existentes no mercado. Não há evidências consistentes que comprovem que a quantidade mínima de radiação não-ionizante absorvida durante o uso cotidiano desses dispositivos possa afetar a saúde humana entre os mais de 5 bilhões de usuários no mundo todo. Ainda assim, mesmo sem consenso, por via das dúvidas, a recomendação é que as pessoas não abusem dos dispositivos, principalmente em longas ligações com o aparelho próximo à cabeça.

Entretanto, há uma preocupação maior em relação à tecnologia 5G. Por conta do alcance reduzido de suas redes, a implementação da plataforma irá exigir uma base muito maior de antenas repetidoras instaladas, o que pode aumentar a incidência de radiação não-ionizante no ambiente, afetando involuntariamente usuários e não-usuários.

Segundo a comunidade científica, essa é uma preocupação desnecessária. Em 2018, a American Cancer Society emitiu um comunicado onde afirma que não é possível concluir que o uso excessivo de celulares possa provocar câncer. A FDA, órgão da administração pública norte-americana que regula o consumo de alimentos e remédios, afirma que “o peso da evidência científica não mostra uma associação entre a exposição à radiofrequência de telefones celulares e desfechos adversos à saúde”. O CDC, Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, publicou uma resposta similar a esse questionamento, onde nega haver evidências de prejuízo à saúde.

Os alarmistas levantam a hipótese de que as frequências mais elevadas utilizadas pelo 5G podem ser exponencialmente mais nocivas aos organismos, porém é exatamente o oposto, de acordo com os cientistas. Quanto mais alta a frequência, menores as chances de penetrar a blindagem natural do corpo, a pele, e afetar o tecido macio dos órgãos internos. “As emissões 5G, devem ser mais seguras do que as gerações anteriores ”, declarou o Dr. Marvin C. Ziskin, médico e professor emérito de radiologia e física médica da Escola de Medicina da Temple University para o The New York Times.

5G matou centenas de pássaros na Holanda?

Resposta curta: não.

Nesse momento, infelizmente, já estamos entrando no terreno dos fake news, mas essa é uma teoria da conspiração que vem circulando pela internet. Em novembro de 2018, um site de saúde de reputação duvidosa publicou o “relato” de centenas de pássaros teriam morrido instantaneamente em consequência de um teste de antena 5G em um parque da Holanda.

A mortandade de pássaros realmente aconteceu no Huijgenspark, na cidade de Hague e o município confirmou cerca de 297 animais mortos. Entretanto, uma apuração mais profunda percebeu dois fatos intrigantes.

O primeiro fato é que nenhum teste de tecnologia 5G foi realizado na região no período mencionado pela “notícia” original. Há indícios de que a Huawei foi autorizada a testar uma antena de transmissão por um dia em 28 de junho de 2018 em uma área relativamente próxima do parque, mas as datas não coincidem de forma alguma. Nem as autoridades reguladoras de telecomunicações do pais nem a Huawei confirmam qualquer tipo de teste de 5G ou antena operacional em novembro de 2018. Segundo um representante do governo holandês consultado pelo site Snopes, especializado em checagem de fatos, a história não passa de um boato.

O segundo fato é que a “notícia” original tem como fonte de informação John Khules, um notório ativista anti-5G que já havia publicado outras teorias de conspiração igualmente implausíveis. Khules, entre outras histórias, publicou que os incêndios florestais que castigaram a Califórnia em novembro de 2018 foram causados por uma arma secreta energética do governo dos Estados Unidos em retaliação ao estado que se recusou a aprovar um plano nacional de implementação do 5G.

Sendo assim, o que causou a morte dos pássaros no parque? Oficialmente, não se sabe a resposta ainda, mas autoridades municipais desconfiam de uma epidemia ou de envenenamento criminoso e recomendaram na época que a população evitasse levar seus animais de estimação ao parque.

Em nenhuma hipótese, a morte dos pássaros poderia ter sido causada por tecnologia 5G. Para tirar qualquer dúvida a respeito, Dr. Eric van Rongen, membro do Conselho de Saúde da Holanda e Diretor da Comissão Internacional em Proteção para Radição Não-Ionizante, enviou um email para o Snopes onde declara:

Os níveis de exposição seriam comparáveis aos das redes atuais (3G e 4G) e, portanto, muito baixos, muito inferiores aos limites de exposição. A única maneira que alguém pode imaginar a morte de aves como resultado da exposição a campos eletromagnéticos é com exposição de nível muito alto que resulta em aquecimento considerável … Mas os níveis que são usados por antenas de telecomunicação móvel não são fortes o suficiente para que isso aconteça. Existem talvez milhões dessas antenas em todo o mundo e isso nunca foi relatado.

Então, por que há essa campanha de difamação da tecnologia 5G?

Resposta curta: guerra informacional.

O The New York Times aponta como origem dos rumores e do clima de histeria contra o 5G a rede de notícias RT America, antiga Russia Today, uma operação de contra-informação patrocinada por Moscou em território norte-americano. Há evidências de interferência no processo eleitoral dos Estados Unidos em 2016 através da rede de notícias e há uma preocupação crescente por conta dos serviços de inteligência de que a campanha anti-5G fomentada pelo RT America tenha propósitos maliciosos.

Desde o ano passado, a rede russa, através de seus veículos de comunicação, tem amplificado a polêmica, repercutindo a opinião de especialistas de idoneidade controversa, produzindo noticiários alarmantes e apresentando argumentos que contradizem os resultados obtidos pelos métodos científicos. A RT America vem sistematicamente associando o 5G à incidência de câncer, autismo, Mal de Alzheimer e infertilidade, relações negadas por estudos sérios.

Ironicamente, ou não, na Rússia, a tecnologia 5G tem uma perspectiva mais otimista. De acordo com a agência de notícias Tass, a implementação da rede é prioritária para o governo russo: “O desafio para os próximos anos é organizar o acesso universal à Internet de alta velocidade, para iniciar a operação dos sistemas de comunicação de quinta geração”, afirmou o presidente Vladimir Putin.

Especialistas em inteligência consultados pelo The New York Times foram unânimes em afirmar que o objetivo da RT America é desestabilizar a opinião pública no Ocidente e campanhas anteriores conduzidas pela rede já teriam se focado em condenar as vacinas e os alimentos geneticamente modificados.

5G é somente um aumento de velocidade?

Resposta curta: não.

Primeiro, sim, 5G oferece uma velocidade superior ao 4G. Isso é inegável: testes conduzidos por operadoras de telecomunicações apontam uma velocidade de 10 Gigabit/s na plataforma 5G contra os 100 Megabits/s obtidos atualmente com o 4G LTE.

Entretanto, quando se fala em 5G não se fala apenas em velocidades superiores de download e upload de dados. O que toda a indústria está de olho é na baixa latência das conexões, com menos de um  milissegundo. Com conexões estáveis e capazes de transferir informações em frações de segundos, a quantidade de aplicações que se tornam viáveis é estratosférica.

Pode-se, por exemplo, implementar com confiabilidade operações cirúrgicas remotas nas quais o cirurgião controla braços mecânicos sem medo de perda de conexão ou atrasos que poderiam ser fatais. Com uma conectividade estável com a nuvem, robôs podem realizar múltiplas consultas a dados compartilhados, permitindo interatividade em tempo real entre dispositivos automatizados em fábricas ou disponibilizar acesso imediato a informações importantes para carros autônomos.

5G irá beneficiar somente os usuários de smartphone?

Resposta curta: não.

Como vimos na resposta anterior, a baixa latência abre um universo de possibilidades. O interesse na implementação global do 5G vai muito além do impacto que isso pode causar no usuário final de dispositivos móveis. Aplicações industrias, dispositivos de Internet das Coisas, robôs, veículos autônomos, tudo pode e será impactado pela existência de uma rede consistente que opere nas frequências de 5G.

No presente momento, as redes de telecomunicações 4G não apenas estão próximas da saturação como também não oferecem o suporte necessário para uma explosão de dispositivos que poderiam estar conectados entre si.

Com o 5G, a forma como nos relacionamos com a tecnologia no nosso dia a dia, na produção fabril e até mesmo no espaço agrícola, seria modificada pela presença de uma conectividade impressionante.

5G será o substituto do 4G?

5G deve ser mil vezes mais rápido que 4G

Resposta curta: não tão cedo.

As empresa de telecomunicação até gostariam que isso fosse verdade e, na teoria, a proposta é essa mesma. Entretanto, na prática, a posição dos especialistas é que essa transição, se acontecer, irá levar décadas.

O 4G deverá continuar como um padrão em muitas regiões do planeta, por conta das características da tecnologia 5G. As altas frequências utilizadas pelo 5G tem um alcance mais curto exigem uma nova infraestrutura de antenas, mais próximas entre si, que não será implementada tão cedo por conta de seu custo. A estimativa é algo em torno de 5 a 10 vezes mais antenas do que as que existem atualmente para se obter a mesma cobertura.

Em áreas rurais ou onde não há uma demanda urgente para a baixa latência do 5G, a revolução prometida vai atrasar e vai atrasar muito. Abandonar a infraestrutura atual de 4G ou mesmo 3G não é economicamente viável, nem mesmo a longo prazo.

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Na linguagem coloquial, esses termos até se confundem mas, tecnicamente, não são a mesma coisa.

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