0 Compartilhamentos 496 Views

A estranha história do site que o Google matou

Se você nunca ouviu falar do site Unindexed, existe um bom motivo para isso: esse foi o site que o Google matou. Ele viveu por três semanas em Fevereiro deste ano, antes de desaparecer como se nunca tivesse existido.

O que ele continha? Segredos, segredos jamais revelados. Ou talvez apenas um monte de bobagens, agora não saberemos. Para entender o Unindexed precisamos antes entender a mente de seu criador Matthew Rothenberg.

Rothenberg é um artista digital de 35 anos que vive no Brooklyn, o mais povoado bairro da cosmopolita Nova York. Rothenberg tem dupla cidadania: americana e germânica. É um cidadão do mundo, um cidadão da Internet. Seu hobby agora é construir instalações que utilizam a web como meio, transformar a tecnologia em mensagem. Mas nem sempre foi assim: o excêntrico criador já foi diretor de produto do Flickr e do Bitly. Hoje se concentra em prestar consultoria e construir projetos que levantam mais perguntas do que respostas.

Unindexed é um destes projetos. Um site criado para morrer. Divulgado através de cartões postais para um grupo seleto de 50 pessoas, o site tinha uma única regra: no momento em que fosse indexado pelos aparentemente onipresentes robôs do Google, o site se apagaria sozinho. Uma rotina codificada no próprio servidor verificava de tempos em tempos se o Unindexed havia, afinal, aparecido nos resultados de busca. Sua proposta, ousada, seu futuro, fatídico.

O cartão postal. O endereço devidamente borrado.

O cartão postal. O endereço devidamente borrado.

Mas o que continha o Unindexed? Segundo seu criador ele deveria ser um espaço onde os visitantes poderiam se sentir à vontade para postar o que quisessem, na certeza de que esse conteúdo não seria gravado. Em uma época em que se fazer invisível para o Google se tornou uma preocupação, o Unindexed parecia um oásis. Seu código era tão perfeito que era capaz de até mesmo impedir que o Google armazenasse seu conteúdo no cache usando a meta-tag NOARCHIVE (todo o código do projeto está disponível no GitHub).

Em entrevista, Rothenberg explica melhor: “nós aprendemos a nos tornar muito cuidadosos e a nos policiarmos em relação à forma como nos comunicamos online e as pessoas não se sentem verdadeiramente livres. Eu estava curioso, se eu criasse um espaço onde as pessoas pudessem falar sem o sentimento de que estariam registradas permanentemente, o que aconteceria?”.

Mas o que continha o Unindexed? Se o site foi programado para desaparecer, por que você acredita que Rothenberg responderia a essa pergunta? Apenas seus visitantes sabiam, um círculo inicialmente limitado de pessoas que foi se expandindo aos poucos. Bastava que um único deles publicasse o link em alguma outra página ou rede social para que o Google encontrasse o fio da meada e o seguisse até a indexação mortal.

Entretanto, por três semanas seguidas, o segredo permaneceu longe dos olhos implacáveis deste robô em específico. Ironicamente e, também de certa forma, perturbador, o Unindexed não permaneceu invisível para robôs de spam. Sem estar listado em lugar algum do planeta, o site foi encontrado e visitado por estes programas automatizados, que deixaram propaganda e palavras aleatórias entre os comentários do site. Como isso foi possível? Nem Rothenberg sabe. Em suas palavras, “um domínio randômico entre milhões promovido modestamente apenas através de cartões postais e ainda assim havia esses bots lá que estavam procurando algum lugar para poderem gritar”.

Além dos robôs, o site chegou a receber algumas centenas de visitantes. Até o dia em que o Google chegou.

Em Tue Feb 24 2015 21:01:14 GMT+0000 (UTC), Unindexed se encontrou nos resultados de busca e executou sua maldição. Para todo o sempre, o site e seu conteúdo misterioso sumiram.

Rothenberg se diz aliviado. Na verdade, ele imaginava que Unidenxed viveria apenas alguns dias. “quanto mais e mais projetos eu faço, mais e mais tempo eu preciso gastar apenas fazendo a manutenção de coisas do passado. Para mim, há algo um pouco catártico sobre saber que algo irá desaparecer”.

Carregando...

Você pode se interessar

Por que eu decidi não migrar para o Windows 11 agora
Artigos
119 visualizações
Artigos
119 visualizações

Por que eu decidi não migrar para o Windows 11 agora

Carlos L. A. da Silva - 19 de outubro de 2021

O novo sistema operacional da Microsoft está entre nós, mas talvez não seja uma boa ideia pular de cabeça.

Enumerando e analisando mais de 40 implementações de JavaScript (que não são V8)
Artigos
247 visualizações
Artigos
247 visualizações

Enumerando e analisando mais de 40 implementações de JavaScript (que não são V8)

Carlos L. A. da Silva - 6 de outubro de 2021

V8 é o interpretador JavaScript, também chamado de máquina virtual Javascript, desenvolvido pela Google e utilizado em seu navegador Google Chrome. Com o peso de seus criadores e a quase onipresença do navegador, foi apenas uma questão de tempo para essa implementação do JavaScritp se tornar dominante no mercado. Entretanto, um bom desenvolvedor sabe que […]

Sir Clive Sinclair, o homem adiantado no tempo
Artigos
428 visualizações
Artigos
428 visualizações

Sir Clive Sinclair, o homem adiantado no tempo

Carlos L. A. da Silva - 18 de setembro de 2021

O inglês Clive Marles Sinclair nasceu de uma família de engenheiros. Seu avô foi engenheiro, assim como o seu pai. Com um talento natural pela Matemática e um forte interesse em eletrônica, ele se tornaria uma página importante da popularização da computação em diversas partes do mundo, construindo um legado que se perpetuará por anos […]

Deixe um Comentário

Your email address will not be published.

Mais publicações

A cibersegurança por trás das vacinas
Artigos
529 visualizações
529 visualizações

A cibersegurança por trás das vacinas

Carlos L. A. da Silva - 7 de setembro de 2021
Top 25 comandos do Git
Artigos
670 visualizações
670 visualizações

Top 25 comandos do Git

Carlos L. A. da Silva - 28 de agosto de 2021
Dez anos de Kotlin: origens e futuro
Artigos
723 visualizações
723 visualizações

Dez anos de Kotlin: origens e futuro

Carlos L. A. da Silva - 20 de agosto de 2021