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O 5G NÃO ajudou no crescimento da pandemia do coronavírus

Enquanto a gente já está de olho na tecnologia 6G para telefonia móvel no futuro, muita gente ainda não tem acesso ao 5G e um punhado de pessoas insiste em acreditar e propagar mitos a respeito.

Nós já desmentimos diversas mentiras sobre a tecnologia 5G aqui no Código Fonte. Ainda assim, os rumores não param e o mais recente e perigoso deles relaciona o sinal de transmissão de dados com a pandemia do coronavírus.

Infelizmente, o número de vítimas da Covid-19 não para de crescer pois não se combate uma crise sanitária sem precedentes nesse século com ideias fantásticas e fake news. Outra vez, 30 dias após nosso último artigo sobre o tema, temos um novo salto estatístico. Existe um motivo para voltarmos a esse assunto mensalmente: o impacto do dia a dia não é tão forte quanto olhar para esses números em intervalos de tempo maiores. Até 12 de maio,  houve 289.349 vítimas fatais no mundo todo. No dia 13 de junho, tinha sido registrado um total de 427.798 mortos. É um crescimento de 47% no período, o que apenas contrasta ainda mais a curva brasileira. No Brasil, saltamos de 12 mil mortos em 12 de maio para 42 mil mortos em 12 de junho, registrando um aumento que beira os 400%.

Em 30 dias.

Em meio a tudo isso, um rumor sem fundamento tenta uma conexão entre a pandemia e o 5G e coloca o risco o funcionamento de estruturas fundamentais justamente para combater a doença.

A “teoria” conspiracionista

Como muitas fake news, essa “teoria” surgiu no Facebook, já no final janeiro, antes mesmo da situação da pandemia se tornar crítica a nível global. Ela chegou junto com os primeiros casos registrados nos Estados Unidos e se espalhou como um outro tipo de vírus, sendo compartilhado por pessoas que não tem o conhecimento correto de como funcionam tecnologias que usamos diariamente.

Os rumores se dividem em duas categorias distintas, que chegam até a ser antagônicas, mas que costumam se misturar. Não vamos dar atenção aos detalhes, para não dar crédito onde não existe mas, de forma simplificada a teoria diz que:

  1. De alguma forma, o 5G pode afetar negativamente o sistema imunológico, tornando as pessoas mais propensas a contrair doenças;
  2. O próprio novo coronavírus poderia, de alguma forma, ser transmitido através da rede 5G.

Uma das “conexões” defendidas pelas pessoas que acreditam nessas afirmações aponta que o Sars-CoV-2 apareceu pela primeira vez na província de Wuhan, na China, uma localidade que serviu como campo de teste para a tecnologia 5G em seu início. A “teoria” ignora que outras cidades também foram campo de teste na fase embrionária da tecnologia e nenhuma delas apresentou uma pandemia similar e ignora também que países como o Irã e o Brasil, onde não há uma rede 5G implementada, foram duramente afetados pelo novo coronavírus.

A opinião de comunicólogos e sociólogos é que tais teorias oferecem algo raro em momentos de crise: alguém para levar a culpa, um bode expiatório fácil para alimentar a paranoia e a desconfiança. Some a esse fator a completa ignorância de preceitos básicos de biologia ou mesmo da tecnologia de telecomunicações e temos um ambiente fértil para o surgimento de desinformação e histeria.

As consequências

O que poderia talvez ser encarado como uma exótica “opinião” na internet, uma crendice compartilhada por meia dúzia de usuários, teve consequências que beiram o trágico. A teoria se espalhou por diversos países e levou a uma escalada de insulto, intimidação e até ameaça de morte contra profissionais de companhias telefônicas.

Sem freio, a histeria coletiva se transformou em violência. Uma série de torres de telefonia celular foi incendiada no Reino Unido por grupos que se organizaram no Facebook. Vídeos dos ataques foram postados com orgulho no YouTube e compartilhados por entusiastas nas redes sociais. Caixas de telefonia também se tornaram alvos de incêndios criminosos em diversas localidades.

Entre o final de março e o início de junho, houve um total de 200 incidentes de abuso contra profissionais registrados por uma entidade que representa as empresas de telefonia no Reino Unido. No mesmo período, mais de 90 ataques incendiários foram realizados contra a infraestrutura móvel do país.

Ironicamente, a fúria movida pela ignorância, que já era injustificada, se tornou mais injustificada ainda: a vasta maioria dos ataques foi direcionada contra torres e equipamentos que forneciam cobertura 4G e até 3G. A implantação do 5G no Reino Unido ainda engatinha.

A teoria absurda resultou na mobilização desnecessária de bombeiros para evitar uma tragédia e de engenheiros de telecomunicações para restaurar os serviços afetados, em um momento em que o ideal seria que a locomoção fosse mínima.

De acordo com a Vodafone, uma das operadoras móveis afetadas pelo vandalismo, em um dos casos, a infraestrutura de telefonia atingida fornecia conectividade móvel para um hospital de campanha que atendia vítimas da Covid-19. “Já é de partir o coração o suficiente que famílias não possam estar lá, ao lado do leito de seus entes queridos que estão criticamente doentes”, desabafou o CEO da Vodafone,  Nick Jeffery. “É ainda mais perturbador que mesmo o pequeno consolo de uma chamada telefônica ou de vídeo agora possa ser negado a eles por causa das ações egoístas de um punhado de teóricos de conspiração iludidos”.

O diretor do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, Stephen Powis, criticou duramente os atentados: “eu estou absolutamente ultrajado e enojado que pessoas façam isso contra a infraestrutura que nós precisamos para lidar com essa emergência”. Powis destacou que o sistema de telefonia é crítico tanto para a população que deve permanecer em suas residências quanto para os profissionais de saúde que precisam responder ao vírus.

É uma questão de lógica: com a queda do sistema de comunicações, mesmo que momentânea ou localizada, pessoas que podem precisar estarão incomunicáveis. Como entrar em contato com os serviços de emergência ou alertar parentes e amigos? Além disso, redes móveis tem sido utilizadas por profissionais e voluntários para organizar apoio para comunidades, seja coletando mantimentos ou remédios para os necessitados ou para aqueles que não tem condições de sair de suas casas.

Lamentavelmente, incidentes similares foram registrados também na Holanda, Irlanda, Bélgica, Itália, Chipre e Suécia. Nos Estados Unidos, embora não haja confirmação de ataques com essa dinâmica, a teoria de conspiração tem ganhado adeptos, inclusive entre celebridades da música e do cinema, que espalham a desinformação entre seus seguidores.

Checando os fatos

A princípio, parece desnecessário explicar o motivo dessa “teoria” não fazer qualquer sentido. Entretanto, como os noticiários já deixaram claro, “fazer sentido” não é um requisito obrigatório para se acreditar em algo, basta que seja replicado diversas vezes, com o endosso de conhecidos ou celebridades.

De acordo com o Dr Simon Clarke, professor associado de microbiologia celular da Universidade de Reading, no Reino Unido, essa teoria da conspiração é um “lixo completo”. E acrescenta: “a ideia de que 5G possa enfraquecer o sistema imunológico não resiste a uma análise”.

Ele explica que, sim, seu sistema imune pode ser reduzido por uma ampla gama de fatores, inclusive cansaço e uma má alimentação. Ainda que essas flutuações não sejam grandes, elas podem impactar seu organismo e torná-lo mais suscetível a infecções virais. Ainda assim, não há nada que justifique que as frequências 5G possam ter efeito parecido.

“Os níveis de energia de ondas de rádio 5G são minúsculos e não estão nem próximos de serem fortes o bastante para afetar o seu sistema imune. Existem vários estudos a respeito disso”, afirma Clarke.

Mas seria possível que o 5G fosse responsável pela transmissão do vírus Sars-Cov-2, responsável pela Covid-19? Ou, reformulando a pergunta, você pode pegar o vírus por download? A pergunta, com uma simples reformulação, torna-se ainda mais ridícula.

Adam Finn, professor de pediatria da Universidade de Bristol, se deu ao trabalho de responder essa pergunta: “a presente epidemia é causada por um vírus que é passado de uma pessoa infectada para outra. Nós sabemos que isso é verdade. Vírus e ondas eletromagnéticas que fazem telefones móveis e a internet funcionarem são coisas diferentes. Tão diferentes como giz e queijo”.

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